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História

O que foram as “Diretas Já”

O Brasil possui ao longo de sua história registros de conflitos de interesse entre governo e população, comum em gestões baseadas na democracia. Um desses “atritos” mais expressivos se deu em 1983/1984, quando o fim da ditadura militar no Brasil culminou com o desejo da população de eleger os seus próprios candidatos através do voto direto.

Esse desejo originou o movimento Diretas Já, marcado por uma série de
manifestações civis que apoiavam a emenda do deputado federal Dante de
Oliveira à Constituição em vigor. Essa emenda propunha que as eleições a
partir de 1984 fossem realizadas através do voto direto, e fez com que as
pessoas fossem para as ruas com o intuito de manifestarem-se a favor da aprovação do projeto, de interesse contrário ao do então governo e do grupo que o apoiava.

Patrick Lopes, professor de geografia formado pela Unesp, ressalta que
em todos os cenários de protestos na história recente do Brasil o manifestante tem um traço em comum: a necessidade de se fazer ouvir. “Um dos principais motivos que fez o povo ir as ruas foi o colapso econômico causado pela gestão ditatorial, buscando uma melhor condição”, explica.

A emenda foi rejeitada, mas os seis meses que antecederam a reunião
dos deputados foram de intensa militância tanto da população, que lutava por um sistema de eleição direta de seus governantes, quanto da grande mídia, que ate então se via “amordaçada” pela prática da autocensura, mas foi seguindo uma crescente de apoio ao movimento.

Em 1985, Tancredo Neves foi o primeiro civil a ser eleito presidente do
Brasil após o fim da ditadura militar, mas, devido a problemas de saúde,
faleceu antes que pudesse assumir. Em seu lugar, assumiu seu vice, José
Sarney, conhecido apoiador do regime autoritário.

Enquanto em 1984 a cobertura das manifestações foi aumentando de
forma exponencial, a grande mídia somente foi proporcionar uma cobertura de grande porte para as manifestações de junho de 2013.

Em meio ao cenário de transição na política e economia brasileira, o
regime militar deixou marcas em muitos aspectos da nação; com a imprensa não foi diferente. Houve um vazio de informação deixado nas publicações dos veículos, já que não se fazia obrigatório à existência de matérias governamentais e era preciso superar a autocensura.

Nesse contexto, a mídia brasileira buscou ampliar a sua margem de lucro, resultando em grandes veículos de aspecto cada vez mais comercial. A frequência de anúncios publicitários aumentou consideravelmente, levantando outra discussão: a comercialização da informação.

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