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História

O manifestante brasileiro no início da Nova República

Desde 1964, com a Ditadura Militar, grande parte dos veículos de
comunicação foi censurada pelos militares. Após o AI-5, somente era permitido veicular aquilo que o governo permitisse que fosse noticiado.

Entretanto, com um grande risco de serem pegos, ainda havia alguns grupos de jornalistas que tentavam mostrar o que realmente estava acontecendo no país, que ganharam o nome de imprensa alternativa.

Veículos como “O Pasquim”, “Pif Paf” e “Bondinho”, entre outros, tiveram
importante papel de questionamento político, denúncia e questionamento de valores e costumes.

Depois, entre 1983 e 1985, período da proposta de emenda
constitucional de autoria de Dante de Oliveira para eleição direta até a eleição de Tancredo Neves, por voto indireto, manifestações ganharam as ruas sob o nome de Diretas Já.

A imprensa ainda estava sob censura, mas a Folha de São Paulo saiu
na frente na divulgação do movimento, seguida de Veja e Isto É. Houve ainda a resistência de O Estado de S. Paulo e a Rede Globo, que nas ruas era
questionada por meio da palavra de ordem “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

Entre atender o mercado envolto em interesses políticos e econômicos,
veículos investiram gradativamente no vazio deixado pelas fontes tradicionais e militarizadas, e ganharam amplitude. O jornal começou, então, a se apresentar como um novo tipo de porta-voz da sociedade brasileira.

Ao longo da recente história brasileira, o perfil dos manifestantes políticos nem sempre foi o mesmo. Patrick Lopes, professor de geografia formado pela Unesp, afirma que nas Diretas Já a predominância era de pessoas da classe média e classe média baixa- “Esse grupo estava aborrecido com o colapso deixado pelo fim da ditadura militar, que lesou outros setores da administração de uma nação, como a pesada censura”, explica.

Já os manifestantes que foram as ruas em junho de 2013, compara o
professor, eram inicialmente estudantes. “Inconformados com o aumento da passagem de ônibus, o grupo estudantil posteriormente se tornou mais
abrangente, recendo a adesão de mais camadas da população. O foco se
expandiu muito e, a meu ver, acabou caracterizando certa desordem”, opina Patrick.

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