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Você pagaria R$ 1036,81 por 20 sushis?

Se me perguntassem alguns dias atrás eu teria recusado de cara, mas depois de entender como que um punhado de arroz e uns peixes-crus se tornam verdadeiras obras de arte na mão de um sushi chef eu comecei a mudar de ideia. Fica até o final do texto pra você conhecer a história de Jiro e seu sushi extraordinário.

O Sukiyabashi Jiro fica em Tóquio,em uma estação de metrô e tem muita história para contar. Em 2009, Jiro Ono foi reconhecido como o melhor “sushi chef do mundo”, e foi o primeiro do ramo a receber três estrelas Michelin (apenas os melhores restaurantes do mundo recebem esse selo). Em 2014, serviu sua arte gastronômica para Barack Obama. Mas o que Jiro tem de tão diferente?

Você passa de 15 a 25 minutos no restaurante, e vai comer 20 tipos diferentes de sushi. O preço é de US$ 300,00 ou 30.000 ienes. Então faz a conta aí, vai passar dos MIL R$ fácil fácil. E um detalhe, são apenas 10 lugares, e as reservas são dificílimas, você precisa tentar várias vezes, com o risco de não conseguir, mas vale a pena tentar, não?

Se você der uma googlada, vai perceber que as opiniões se dividem: uns não gostam do “tratamento frio” de Jiro ao servir os sushis, outros, porém, entenderam a filosofia do sushi chef e apreciaram a sua arte. Essa é a diferença entre um sushi bar aqui do BR, ou de qualquer lugar do mundo, com o Sukiyabashi Jiro. Você não come sushis lá, você aprecia uma verdadeira obra de arte.

O processo de produção do sushi é uma busca incessante pela perfeição (não vamos entrar no debate filosófico, please). A seleção do arroz é feita com um fornecedor antigo e especialista, amigo de longa data do chef, e o peixe é selecionado a dedo, um processo minucioso.

Assistindo o documentário da NETFLIX, “Jiro Dreams of sushi” onde você pode acompanhar o processo de elaboração de cada um dos sushis, irá perceber que o nicho escolhido por Jiro é enxuto, e bem definido. A tradição se revela algo poderoso, as reservas são apenas por telefone, não se pode tirar fotos no interior, e não se servem petiscos e entradas. Mas isso não impede que o Restaurante fique com a agenda lotada com vários meses de antecedência.

Jiro mostra no documentário que o tratamento da comida no preparo do sushi é algo fundamental, é como se ele tivesse uma conexão com o alimento, e cada movimento reflete esse laço, nenhum detalhe escapa do senhor de mais de 90 anos, que começou aos 9 a trabalhar, após perde o pai, com 7.

A resiliência de Jiro e a sua disciplina contrastam com um mundo cada vez mais efêmero e líquido (Ler “A Modernidade Líquida” de Bauman), sua busca pela perfeição é algo que ele vai levar junto ao partir. Com 93 anos (2019) mostra que para criar algo único não se pode buscar atalhos. No documentário você vai perceber que o aprimoramento é constante e o treinamento é pesado. São vários anos para atingir a excelência.

A frase mais marcante para mim é: “Para fazer comida gostosa, você tem que comer comida gostosa”Parece uma lógica banal, mas faz sentido. Steve Jobs dizia para você amar o que faz. E é fácil identificar isso no filme, fazer sushi não era a profissão de Jiro, fazia parte de sua vida.

Lendo sobre a história de Jiro e a sua filosofia de vida, é gratificante saber que existem pessoas no mundo que lutam por algo excelente. O sushi chef tem suas contradições, mas não vou entrar no debate agora, o foco aqui é ver como a resiliência, a paixão pelo trabalho, a dedicação com as pessoas, e a disciplina diária, podem deixar uma marca incrível no mundo.

Jiro foi condecorado pelo governo japonês como um tesouro nacional vivo, a sua filosofia de vida e a arte da gastronomia oriental elevaram o paladar a um novo patamar, a da conexão com os aliemtos. Vale a pena conferir o documentário na Netflix e quem sabe arriscar reservar uma experiência espetacular.

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