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Como a pandemia afetou o tratamento de câncer no Brasil

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A queda pela procura de tratamento para outras doenças é um dos efeitos colaterais sociais da pandemia do covid-19, e para doenças de acompanhamento contínuo foi ainda mais grave
O rastreamento do câncer de mama caiu pela metade em relação ao mesmo período no ano passado

O efeito em números

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Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) houve uma queda de 70% no número de cirurgias feitas para o manejo de tumores entre março e maio.

Ao analisar o Datasus (sistema de informática do Sistema único de Saúde) há uma queda preocupante de mamografias, biópsias e colonoscopias realizadas, e entre janeiro e julho de 2020 o rastreamento do câncer de mama caiu pela metade em relação ao mesmo período no ano passado.

Estima-se que hajam mais de 60 mil novos casos de câncer de mama por ano.

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Em entrevista, o Dr. Eduardo Pessoa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional São Paulo, relata a grande preocupação com o número de casos no último ano: “Observamos o seguinte: quanto ao rastreamento mamográfico, nós não temos um rastreamento bem estruturado no país e nem no nosso estado, nós temos o que chamamos de rastreamento oportunista, é aquele que não é organizado. A paciente vai até lá e faz a mamografia, às vezes ela não faz periodicamente, faz só um ano depois ela volta a fazer 2, 3, 4 anos depois e olhe lá […] Essa pandemia fez com que as mulheres, mesmo que sentissem alterações nas suas mamas, postergassem sua ida ao médico e isso traduziu-se no aumento de casos avançados.”, afirma Pessoa.

Durante um evento sobre o tema, Maria del Pilar, coordenadora da Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo,afirmou que a desistência no pico da pandemia foi a correta, porém que diante da incerteza em relação ao fim é necessário não esperar mais e que medidas estão sendo tomadas para ter uma retomada segura.

Volta Segura

As principais entidades da saúde se manifestaram incentivando a retomada dos diagnósticos e tratamentos de câncer no Brasil através da campanha #tudobemtratar o câncer— aproveitando o hashtag conhecido #tbt. O intuito é mostrar que é seguro buscar tratar a doença em tempos de Covid-19 após todos os cuidados serem tomados.

Em um apelo, o diretor de Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde, Antonio Braga, informa que existe uma orientação para que haja atendimento imediato para mulheres que tenham alterações na mama. Porém, a situação precária que enfrenta o SUS diante do descaso do governo central, ficou ainda mais grave tendo seus recursos já limitados sendo disputados por várias frentes durante a pandemia, atrasando ainda mais o acesso das pacientes ao tratamento.

Para Eduardo Pessoa, o tratamento é indispensável, porém teve que ser repensado para o novo cenário. “No auge da pandemia, aquelas pacientes que foram diagnosticadas com tumores que são hormônios sensíveis, pacientes idosas, essas pacientes não foram internadas para a cirurgia. Optamos por um tratamento chamado hormonioterapia neoadjuvante”, afirmou.

Essa etapa é normalmente aplicada como terceira ou quarta parte do tratamento, passando primeiro pela cirurgia e depois quimio ou radioterapia, como explicou: “Invertemos a ordem do tratamento, e esse tratamento com o hormônio durou até a gente conseguir sair do pico da pandemia. Estamos recebendo agora essas pacientes e estão sendo operadas”.

As medidas de segurança tomadas em consultórios e clínicas são evidentes: consultórios com um menor número de pacientes, cadeiras marcadas para o distanciamento, álcool em gel disponibilizado nos balcões de atendimento e o uso obrigatório de máscaras estão entre as mais seguras para os ambientes. A equipe médica também conta com equipamentos de proteção e com uma testagem a cada 15 dias, em média.

Tais decisões tem se mostrado efetivas no combate ao coronavírus. O número de agentes da saúde contagiados é cada vez menor ao longo da estabilização da curva de contágio. Além disso, a testagem para a população está mais acessível através do drive-thru e até em coleta a domicílio para conter a exposição de grupos de risco.

Especialistas apelam mais uma vez à tomada de consciência por parte da população

Volta Segura enquanto nos mantermos seguros

A curva de fato diminuiu exponencialmente nos últimos meses, com isso os governos estaduais e municipais flexibilizaram as medidas de contenção para a retomada gradual da economia e do dia-a-dia brasileiro. Porém, como apontado pela comunidade científica, a segunda onda é um fenômeno a ser enfrentado depois dessa “janela de segurança”, que é o que está acontecendo na Europa após dois meses de estabilidade. Em São Paulo já há índices de aumento de casos de internação entre jovens na rede particular, como foi no caso europeu.

Ante isso, especialistas apelam mais uma vez à tomada de consciência por parte da população. As medidas de segurança continuam sendo as mesmas: se manter em quarentena se possível, se expor só o necessário, evitar aglomerações e higienizar as máscaras obrigatórias após cada uso. Em caso de sintomas a recomendação é se isolar, se atentar ao agravamento de sintomas respiratórios para então procurar auxílio médico.

Por: Luciana Saravia – Jornal Junior – Unesp/Bauru

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