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ComportamentoDanilo Amendola

Escolas muradas educando a geração sem fronteiras

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Não é mais possível que o professor vença a guerra contra os celulares em sala de aula ou ignore informações obtidas, em questões de segundos.

Os nativos digitais estão por toda parte, principalmente nas escolas. Esse grupo é composto principalmente por nascidos após os anos 2000, que possuem destreza inigualável com o ambiente virtual e que ao invés de ler manuais, aprendem na tentativa e erro. Atualmente uma grande parte da população em idade escolar corresponde a esse contingente, e é a partir deles que surge uma das maiores questões atuais, como educá-los? O ponto chave dessa questão é que professores vindos de uma geração não digital está diante de salas cheias ministrando aulas, muitas vezes desinteressantes, e a par da aplicação da tecnologia. Começamos aqui a observar um novo parâmetro educacional, não é mais possível que o professor vença a guerra contra os celulares em sala de aula ou ignore informações obtidas, em questões de segundos, durante as aulas. O papel dos docentes agora é mediar as discussões que surgem em decorrência do enorme volume de informações que bombardeia os alunos a todo instante, ao contrário do que foi um dia, o ensino agora deve ter o aluno como protagonista e o professor, em segundo plano, torna-se o gerente da sala de aula, tornando-se aquele que vai verificar as informações e então lançar mão do debate necessário.

Escola sem fronteiras
O papel dos docentes agora é mediar as discussões que surgem em decorrência do enorme volume de informações

O título deste artigo é também uma indagação. Estamos fartos de observar escolas com muros e cercas cada vez mais altos, assemelhando-se a verdadeiras prisões, sendo assim um ambiente hostil aos alunos, que gera desconforto, desconfiança e constrói barreiras ao invés de derrubá-las. Educar no século XXI tem mais relação fornecer liberdade do que transmitir conteúdos. Conteúdos são facilmente obtidos on line, mas a liberdade não. Além disso, quando livres, o que podem os alunos fazer com tal sensação? O que vão explorar? Até onde a criatividade pode chegar? Essas e outras questões deveriam ser o ponto central das escolas, onde o foco seria criar cidadãos livres, porém conscientes e responsáveis, e acima de tudo envolvidos nos sistemas aos quais fazem parte. Falo aqui, não de uma escola para o vestibular, mas sim uma escola para vida, e na tentativa de responder a um dos questionamentos que o título trás, lanço mão de ideias e ideais que nos levem a uma educação mais inclusiva, mais eficaz e inteligente. Estamos usando métodos ultrapassados para letrar nossos pequenos seres pensantes sem ao menos nos importarmos com seu contexto atual, somos professores protagonistas de um sistema há muito falido, que luta para manter o silêncio, a ordem e a obediência, quando deveríamos trazer o caos criativo, discussões acaloradas e debates livres, que seriam marcantes e teriam o poder de cravar na memória dos alunos os momentos prazerosos de aprendizagem.

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Certamente o conteúdo é importante e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está aí para nos mostrar que podemos trabalhar todos os conteúdos propostos para os anos escolares buscando o aperfeiçoamento da prática e o desenvolvimento de habilidades e competências.

Rompendo a barreira intransponível dos muros escolares nós, como sociedade, estaríamos fazendo um favor, proporcionando que os alunos vissem na prática, ao redor das escolas e nas suas cidades, quais situações existem. Esse exercício resultaria em discussões a respeito do local, daquilo que todos veem ao transitar pela cidade, seria um gerador de soluções para problemas novos e antigos e muito além disso, seria o berço de uma sociedade totalmente consciente daquilo que precisa ser modificado.

O futuro trata-se de aprender qual é a ferramenta necessária para resolver problemas observados, e garanto a você caro leitor, que a “escolas ilha” não estão guiando nossos pequenos até lá.

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Danilo Amendola

Danilo Amendola é mestre em Geociência e Meio Ambiente e atualmente realiza doutorado em educação na UNICAMP. Escreve na Up Cuesta Bem Estar quinzenalmente sobre educação e tecnologia educacional.
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