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Como evitar a síndrome de burnout no trabalho remoto

Conhecida antigamente por “estafa profissional”, o quadro entrou para a classificação de doenças da OMS.

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Conhecida antigamente por “estafa profissional”, o quadro entrou para a classificação de doenças da OMS.

Uma mulher branca jovem encara uma xícara em cima de uma mesa com livros e um notebook em cima. É noite e a mulher tem um olhar cabisbaixo e exausto, indicando se tratar de um caso de burnout.
O conceito de trabalhar em casa ainda é uma situação nova para vários brasileiros (Imagem: PVProductions/Freepik)

O conceito de burnout, de certa forma, não é exatamente recente. O sentimento de exaustão relacionado à jornada de trabalho é um tema inclusive explorado pelo cânone da literatura clássica. É o exemplo do cavalo Samba-Canção em “A Revolução dos Bichos”, uma obra lançada em 1954 que já trazia a frase “vou trabalhar mais ainda!” como dica das consequências horrorosas que estariam por vir. Todavia, o termo que recentemente ganhou reconhecimento da OMS como uma doença ocupacional crônica a ser combatida é bem mais complexo que simplesmente “cansaço”.

Mesmo que o cavalo citado pertença à ficção, o psicanalista americano Herbert J. Freudenberger não. O médico cunhou o termo “burnout” para se referir, infelizmente, à situação trabalhista que ele mesmo e os colegas se encontravam nos anos 70. Alguns dos sintomas citados eram dores de cabeça, problemas no estômago e dificuldade para dormir. Hoje, compreendemos que os estágios iniciais também envolvem dificuldade de concentração, mudanças no humor, no apetite e em diversos outros aspectos que afetam a qualidade de vida.

Mulher triste chora em uma reunião de terapia em frente a um grupo de pessoas. A pessoa desesperada pede ajuda de psiquiatra no programa comunitário de reabilitação.
Os sintomas podem ser percebidos por familiares, colegas de trabalho e amigos (Imagem: DCStudio/Freepik)

O significado da palavra já indica o quão séria é a circunstância e o quanto ela pode se agravar. O termo se refere à situação de queimar-se (do inglês, “burn”) por completo. Episódios de ansiedade, quadros de depressão, problemas gastrointestinais, cardíacos e musculares são exemplos de contextos mais graves.

O burnout ganhou cada vez mais notoriedade ao longo dos últimos anos e, conforme a pandemia avançou, as condições de trabalho associadas a esse fenômeno cresceram proporcionalmente. Uma pesquisa feita pelo Grupo Adecco evidenciou que a Síndrome do Burnout tem afetado principalmente os jovens pertencentes à chamada “geração z”, isto é, os nascidos entre 1995 e 2010. Quando se considera todas as faixas etárias que participaram da pesquisa, 38% das pessoas dizem ter sofrido um burnout ao longo do ano de 2021.

De acordo com o Dr. Drauzio Varella, o contexto que pode provocar essa doença envolve condições de trabalho desgastantes ou desemprego. “Prazos apertados, excesso de tarefas e funções, ambiente opressivo e baixa remuneração criam um estado de tensão permanente no indivíduo”, afirma o médico em um vídeo feito para o seu canal do Youtube.

Como evitar chegar a esse ponto?

Médico sentado à mesa no consultório do hospital, explicando o tratamento de saúde para o paciente remoto durante uma videoconferência.
Não hesite em procurar ajuda profissional, caso ela seja acessível para você (Imagem: DCStudio/Freepik)

É muito importante que as próprias lideranças da empresa tomem iniciativas, já que o burnout não se trata apenas de uma situação individual. Nesse sentido, de acordo com a especialista em liderança Taíse Paim em entrevista ao Jornal Semanário, é essencial que a empresa adote um bom plano de gestão, implementando programas de bem-estar relacionados à esportes, atividades físicas, culturais e sociais. Conhecimentos acerca da boa aplicação de ações como essas podem ser adquiridas por meio de cursos de aperfeiçoamento específicos para esse contexto.

Quanto ao trabalhador, é imprescindível procurar se exercitar e separar um tempo específico apenas para o lazer. Além disso, caso as condições de trabalho estejam afetando o cotidiano, é importante propor novas dinâmicas de entregas diárias e prazos que tornem o trabalho mais equilibrado com outros aspectos da vida pessoal e também estar atento a sinais de assédio moral. É essencial procurar ajuda profissional de psicólogos e psiquiatras caso sejam percebidos sintomas referentes à Síndrome do Burnout.

Embora a pandemia continue e o home office seja a realidade de vários trabalhadores no país, existem formas de evitar que a saúde seja prejudicada nesse processo. Com ajuda médica, profissionais capacitados na liderança, funcionários cientes de seus direitos trabalhistas e atentos aos sinais, não será preciso que situações como a do cavalo Samba-Canção sejam percebidas apenas tarde demais.

Agora que você entende melhor o que é o burnout e como evitá-lo, confira as principais matérias sobre comportamento no nosso blog.

Por: Italo Marquezini, Jornal Jr – UNESP Bauru.

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